Queria eu poder enxergar tão bem como os outros. Eu apenas observo, não vejo nada, fico nesse meu marasmo... só olhando.
E depois de olhar tanto, percebi que em terra de cego, quem tem um olho ainda é caolho.
Acho que não aprendi a piscar.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Explicações
Te amo porque te amo,
E porque te amo, me ilumino
E porque me ilumino, me acho
E porque me acho, te descubro
E porque te descubro, te amo.
Te amo porque te amo,
E porque te amo, me completo
E porque me completo, eu vivo
E porque eu vivo, eu sinto
E porque eu sinto, te amo.
Te amo porque te amo,
E porque te amo, eu vejo
E porque eu vejo, eu entendo
E porque eu entendo, eu creio
E porque eu creio, te amo.
Te amo porque te amo,
E porque te amo, eu vôo
E porque eu vôo, me solto
E porque me solto, eu volto
E porque eu volto, te amo.
Te amo porque te amo,
E se não te amasse, não voaria
E se não te amasse, não sentiria
E se não te amasse, não saberia
Que te amo porque te amo,
E isso já explica tudo.
E porque te amo, me ilumino
E porque me ilumino, me acho
E porque me acho, te descubro
E porque te descubro, te amo.
Te amo porque te amo,
E porque te amo, me completo
E porque me completo, eu vivo
E porque eu vivo, eu sinto
E porque eu sinto, te amo.
Te amo porque te amo,
E porque te amo, eu vejo
E porque eu vejo, eu entendo
E porque eu entendo, eu creio
E porque eu creio, te amo.
Te amo porque te amo,
E porque te amo, eu vôo
E porque eu vôo, me solto
E porque me solto, eu volto
E porque eu volto, te amo.
Te amo porque te amo,
E se não te amasse, não voaria
E se não te amasse, não sentiria
E se não te amasse, não saberia
Que te amo porque te amo,
E isso já explica tudo.
domingo, 18 de maio de 2008
What do you see?
- So, when you look at me, what do you see?
- I see you.
- And what do you see?
- What do you mean?
- You're just looking. But what do you see?
- I see you.
- You're wrong.
- Why?
- Because you're just looking.
- I see you.
- And what do you see?
- What do you mean?
- You're just looking. But what do you see?
- I see you.
- You're wrong.
- Why?
- Because you're just looking.
domingo, 11 de maio de 2008
Frio
— Tá frio aqui dentro...
— Vou fechar a janela pra você.
— ...não era disso que eu tava falando. Mas obrigada, de qualquer forma.
— Vou fechar a janela pra você.
— ...não era disso que eu tava falando. Mas obrigada, de qualquer forma.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Eu tenho um sonho preso no meu quarto
Eu tenho um sonho preso no meu quarto.
De todos os meus sonhos exalados quando acordo, existe um sonho que resolveu se prender ao teto. Olho para ele como quem pergunta "Vai ficar aí?". Ele me retribui o olhar, dizendo que vai ficar enquanto eu não voltar pra cama.
Eu espero o tal sonho cair de volta pro travesseiro. Ele me olha como quem suplica algo. Eu digo que agora não. Agora não, eu tenho muita coisa pra fazer, eu tenho algumas coisas pra ler, preciso estudar alguns resumos, preciso arrumar meu quarto, preciso telefonar pra não-sei-quem, agora não dá não, sonho. Quem sabe daqui um tempo, talvez de noite, quando for a hora certa de dormir... quem sabe depois. Mas agora não, sonho.
Mas ele sorri. Aquele sorriso que só sonho tem, um sorriso que parece contorno de nuvem.
E eu entendo... não existe hora pra sonhar.
:)
De todos os meus sonhos exalados quando acordo, existe um sonho que resolveu se prender ao teto. Olho para ele como quem pergunta "Vai ficar aí?". Ele me retribui o olhar, dizendo que vai ficar enquanto eu não voltar pra cama.
Eu espero o tal sonho cair de volta pro travesseiro. Ele me olha como quem suplica algo. Eu digo que agora não. Agora não, eu tenho muita coisa pra fazer, eu tenho algumas coisas pra ler, preciso estudar alguns resumos, preciso arrumar meu quarto, preciso telefonar pra não-sei-quem, agora não dá não, sonho. Quem sabe daqui um tempo, talvez de noite, quando for a hora certa de dormir... quem sabe depois. Mas agora não, sonho.
Mas ele sorri. Aquele sorriso que só sonho tem, um sorriso que parece contorno de nuvem.
E eu entendo... não existe hora pra sonhar.
:)
sexta-feira, 28 de março de 2008
Dodô e Bete
Dolores e Elizabete, também conhecidas como Dodô e Bete. Duas amigas de infância que, nessas indas e vindas da vida, perderam contato quando se casaram. Ambas, entretanto, se encontram divorciadas. E se encontram num barzinho, desses de BH, pra "botar as fofocas em dia" (como diria Bete) e para "bordar um papo bordado" (como diria Dodô). O reencontro é delicioso.
D: Menina, mas como você tá linda!
Beijo de um lado, beijo do outro lado, sem o terceiro pra casar - casamento? Necas.
B: E você, hein? Que cabelo lindo!
D: Você quer uma bebida?
As duas bordam as fofocas. Sobre a velha turma. Sobre as casadinhas. Sobre as divorciadas. Sobre o ex-marido de Bete (Bete acenderia alguns cigarros durante o tema). Sobre o ex-marido de Dodô. Sobre a manicure Dinízia, que morreu atropelada na Catalão ("Que desastre", diria Bete). Entre alguns copos de cerveja e entre alguns cigarros, um homem novo - vinte e poucos anos talvez? - se aproxima da mesa. Tampa os olhos de Dodô (que, no momento, comentava sobre um sex shop da Contorno). Bete observa, um sorriso meio trêmulo, sem saber direito o que fazer. Dodô sorri e pergunta: "Neném?". Bete trava. "Neném" tira as mãos dos olhos de Dodô.
D: Betinha, deixa te apresentar. Esse aqui é Maurício...
(Maurício contorna a mesa e dá dois beijos em Bete, um em cada lado, sem o terceiro pra casar - casamento? Necas. Bete sente o cheiro de sua fragância masculina. Bete fica excitada. Maurício contorna a mesa e senta ao lado de Dodô).
D: ...meu namorado.
(Bete pensa: "MEU NAMORADO?!").
B: Muito... muito bonito, Dodô!
(Maurício dá um sorriso encabulado e um beijo estalado na bochecha de Dodô)
D: Estamos juntos a alguns meses. Nada muito longo, uns dois só, né Neném?
M: Dois meses e três semanas.
B: Mas... mas que maravilha, Dodô! Fico... eu fico muito f-feliz, de verdade, por vocês dois.
(Maurício e Dodô abrem sorrisos de orelha a orelha. Dodô faz carinhos na mão de Maurício. Maurício pede ao garçom uma dose de whisky. Bete pede a Deus que o mundo acabe.)
B: E, hm, onde vocês se conheceram?
M: Numa boate. Eu trabalho como Go Go Boy.
B: Ah.. sim.
M: Se as senhoritas me dão licença, vou ao banheiro. Dá um beijinho no Neném, Dodô?
(Dodô beija Maurício como se fosse uma adolescente ninfomaníaca, e não uma mulher divorciada de 46 anos. Bete manda Deus e o mundo à merda. Maurício se levanta.)
D: Maurício e eu estamos morando juntos.
B: Poxa... que maravilha.
D: Sim, por isso que não quis te chamar no apê... queria fazer uma surpresinha, entende?
(Betinha pensa: "E que surpresa, sua filha da puta!".)
B: Hahaha, realmente uma surpresa, Dodô. Achei que você, sei lá, estava odiando todos os homens por aí...
(...como eu estou fazendo, pensa Bete.)
D: Ah, eu tive essa fase sim. Mas aí vi que era o mesmo que ser uma corna mansa (Betinha engasga com a cerveja), e resolvi ir à caça.
B: Hehe.
D (abaixando a voz, como se confidenciasse um segredo): Nós transamos em todos os cômodos do apê na nossa primeira semana juntos, Betinha.
B: Caramba!
D: E já transamos na escadaria e no elevador também.
B: ...isso é que é saúde (sorrindo amarelo).
D: E também fizemos no...
B (interrompendo Dodô): Ele tá vindo.
(Maurício senta na mesa)
M: Não interrompi o assunto, interrompi?
B: (pensando) Que sorriso. Que olhos. Que músculos. Dolores filha de uma puta.
D: Claro que não, amor, estávamos falando sobre nossas transas.
(Bete engasga com a cerveja. De novo.)
D: Ela é que é a amiga que eu comentei que tá sozinha, Neném.
B: (SUA DESGRAÇADA, COMO CONSEGUE ME HUMILHAR ASSIM NA FRENTE DESSE HOMEM?!)
B: Bem, não é bem assim... (diz sem graça, o rosto completamente vermelho) Na verdade, estou só solteira. Saio com uns caras de vez em quando, sabe?
D: (dando um tapinha amigável nas mãos de Bete, que agarram o copo furiosamente) Sua safada!
M: Eu conheço um sujeito boa pinta que tá querendo um relacionamento, Betinha.
B: É... é mesmo? Hehehe.
M: Sim, um pouco mais velho que eu, trabalha na boate.
B: Poxa, que legal...
M: Vocês poderiam sair algumas vezes.
D: Betinha me disse que não faz sexo já tem um ano, amoreco.
B: (O QUÊêÊÊêêêêêêêeêêÊEÊ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)
D: E Betinha, ouvi dizer que ele deixa qualquer mulher louca entre quatro paredes.
B: Hehe. (bebendo a cerveja furiosamente, entornando o copo)
B: Bom, eu...
D: Amor, por que você não liga pro Ricardo? Ricardo é ele, Betinha. Diz pra ele vir pra cá.
B: (se levantando desesperada da cadeira) Não, não precisa não, eu...
D: Amiga, você tá bem?
B: Eu... eu... NÃO, EU TÔ PÉSSIMA! EU TENHO QUE CORRER!
M: Calma, Bete, o que aconteceu?
B: EU DEIXEI O GÁS LIGADO! MINHA CASA! MINHA CASA VAI EXPLODIR! ADEUS!
Bete sai correndo desesperada enquanto Dodô e Maurício olham a cena ridícula.
Bete pega um táxi, pede ao motorista permissão pra fumar e, durante o caminho, diz:
B: Que cena ridícula...
Taxista: Posso ajudar, dona?
B: Hm, bem... bem... (dá uma boa olhada no taxista) Você quer uma bebida?
D: Menina, mas como você tá linda!
Beijo de um lado, beijo do outro lado, sem o terceiro pra casar - casamento? Necas.
B: E você, hein? Que cabelo lindo!
D: Você quer uma bebida?
As duas bordam as fofocas. Sobre a velha turma. Sobre as casadinhas. Sobre as divorciadas. Sobre o ex-marido de Bete (Bete acenderia alguns cigarros durante o tema). Sobre o ex-marido de Dodô. Sobre a manicure Dinízia, que morreu atropelada na Catalão ("Que desastre", diria Bete). Entre alguns copos de cerveja e entre alguns cigarros, um homem novo - vinte e poucos anos talvez? - se aproxima da mesa. Tampa os olhos de Dodô (que, no momento, comentava sobre um sex shop da Contorno). Bete observa, um sorriso meio trêmulo, sem saber direito o que fazer. Dodô sorri e pergunta: "Neném?". Bete trava. "Neném" tira as mãos dos olhos de Dodô.
D: Betinha, deixa te apresentar. Esse aqui é Maurício...
(Maurício contorna a mesa e dá dois beijos em Bete, um em cada lado, sem o terceiro pra casar - casamento? Necas. Bete sente o cheiro de sua fragância masculina. Bete fica excitada. Maurício contorna a mesa e senta ao lado de Dodô).
D: ...meu namorado.
(Bete pensa: "MEU NAMORADO?!").
B: Muito... muito bonito, Dodô!
(Maurício dá um sorriso encabulado e um beijo estalado na bochecha de Dodô)
D: Estamos juntos a alguns meses. Nada muito longo, uns dois só, né Neném?
M: Dois meses e três semanas.
B: Mas... mas que maravilha, Dodô! Fico... eu fico muito f-feliz, de verdade, por vocês dois.
(Maurício e Dodô abrem sorrisos de orelha a orelha. Dodô faz carinhos na mão de Maurício. Maurício pede ao garçom uma dose de whisky. Bete pede a Deus que o mundo acabe.)
B: E, hm, onde vocês se conheceram?
M: Numa boate. Eu trabalho como Go Go Boy.
B: Ah.. sim.
M: Se as senhoritas me dão licença, vou ao banheiro. Dá um beijinho no Neném, Dodô?
(Dodô beija Maurício como se fosse uma adolescente ninfomaníaca, e não uma mulher divorciada de 46 anos. Bete manda Deus e o mundo à merda. Maurício se levanta.)
D: Maurício e eu estamos morando juntos.
B: Poxa... que maravilha.
D: Sim, por isso que não quis te chamar no apê... queria fazer uma surpresinha, entende?
(Betinha pensa: "E que surpresa, sua filha da puta!".)
B: Hahaha, realmente uma surpresa, Dodô. Achei que você, sei lá, estava odiando todos os homens por aí...
(...como eu estou fazendo, pensa Bete.)
D: Ah, eu tive essa fase sim. Mas aí vi que era o mesmo que ser uma corna mansa (Betinha engasga com a cerveja), e resolvi ir à caça.
B: Hehe.
D (abaixando a voz, como se confidenciasse um segredo): Nós transamos em todos os cômodos do apê na nossa primeira semana juntos, Betinha.
B: Caramba!
D: E já transamos na escadaria e no elevador também.
B: ...isso é que é saúde (sorrindo amarelo).
D: E também fizemos no...
B (interrompendo Dodô): Ele tá vindo.
(Maurício senta na mesa)
M: Não interrompi o assunto, interrompi?
B: (pensando) Que sorriso. Que olhos. Que músculos. Dolores filha de uma puta.
D: Claro que não, amor, estávamos falando sobre nossas transas.
(Bete engasga com a cerveja. De novo.)
D: Ela é que é a amiga que eu comentei que tá sozinha, Neném.
B: (SUA DESGRAÇADA, COMO CONSEGUE ME HUMILHAR ASSIM NA FRENTE DESSE HOMEM?!)
B: Bem, não é bem assim... (diz sem graça, o rosto completamente vermelho) Na verdade, estou só solteira. Saio com uns caras de vez em quando, sabe?
D: (dando um tapinha amigável nas mãos de Bete, que agarram o copo furiosamente) Sua safada!
M: Eu conheço um sujeito boa pinta que tá querendo um relacionamento, Betinha.
B: É... é mesmo? Hehehe.
M: Sim, um pouco mais velho que eu, trabalha na boate.
B: Poxa, que legal...
M: Vocês poderiam sair algumas vezes.
D: Betinha me disse que não faz sexo já tem um ano, amoreco.
B: (O QUÊêÊÊêêêêêêêeêêÊEÊ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)
D: E Betinha, ouvi dizer que ele deixa qualquer mulher louca entre quatro paredes.
B: Hehe. (bebendo a cerveja furiosamente, entornando o copo)
B: Bom, eu...
D: Amor, por que você não liga pro Ricardo? Ricardo é ele, Betinha. Diz pra ele vir pra cá.
B: (se levantando desesperada da cadeira) Não, não precisa não, eu...
D: Amiga, você tá bem?
B: Eu... eu... NÃO, EU TÔ PÉSSIMA! EU TENHO QUE CORRER!
M: Calma, Bete, o que aconteceu?
B: EU DEIXEI O GÁS LIGADO! MINHA CASA! MINHA CASA VAI EXPLODIR! ADEUS!
Bete sai correndo desesperada enquanto Dodô e Maurício olham a cena ridícula.
Bete pega um táxi, pede ao motorista permissão pra fumar e, durante o caminho, diz:
B: Que cena ridícula...
Taxista: Posso ajudar, dona?
B: Hm, bem... bem... (dá uma boa olhada no taxista) Você quer uma bebida?
quarta-feira, 12 de março de 2008
Passarinho
Minha mãe acabou de me contar um caso que me fez chorar.
Aos que não sabem, meu pai morreu em 1999 (eu tinha 9 anos de idade). Não digo isso porque era meu pai, pois só fui conhecê-lo de verdade depois que ele morreu, mas ele era um homem muito bom, muito digno, e desde criança sempre foi apaixonado com passarinhos. Papai tinha uma vida de cigano, morou em não-sei-quantos lugares (e, por isso, eu vivi muito pouco com ele, pois ele sempre estava morando fora), e sempre gostou de coisas que mamãe não gostava tanto. Exemplos importantes: música sertaneja das antigas (nada de Chitãozinho e Xororó, coisa antiga MESMO) e tomar um golinho de cachaça antes do almoço. Pois foi papai morrer, mamãe começou a ter as mesmas manias (e gostar de futebol, mas isso não é importante aqui agora =p).
Ontem, enquanto eu estava na escola, mamãe tava aqui em casa fazendo o almoço e ouvindo uma rádio daqui de BH que só toca música sertaneja. De 11 ao meio-dia, essa rádio toca só aquelas músicas sertanejas realmente antigas, as que papai gostava, e ontem mamãe ficou ouvindo. Até aí, tudo bem.
Eis que, quando uma música acabou e outra começou, um passarinho pousou na antena do prédio do lado aqui de casa (um prédio baixinho, dá pra ver a antena da janela da cozinha). O passarinho ficou olhando pra dentro da cozinha, observando mesmo, mexendo a cabecinha e tudo. E assoviou umas 3 vezes durante a música. Mamãe foi pra perto da janela e os dois ficaram se olhando enquanto a música tocava. E o passarinho só olhando pra cá. E aí, quando a música terminou, o passarinho foi embora.
Não acho que papai era o passarinho, não acho que a alma dele estava lá dentro, não acho nada disso. Mas, que nem mamãe disse, quando Deus quer se comunicar com a gente, ele coloca anjos na nossa vida: não anjos com asinhas brincando em nuvens, mas pessoas, animais, até mesmo objetos (tipo quando a gente acha O Livro que muda a nossa vida, nosso estado de espírito).
O que eu sei é que tem detalhes maravilhosos lá fora que querem ser vistos, só depende de nós. Então, é. Não de verdade, mas papai era o passarinho.
Aos que não sabem, meu pai morreu em 1999 (eu tinha 9 anos de idade). Não digo isso porque era meu pai, pois só fui conhecê-lo de verdade depois que ele morreu, mas ele era um homem muito bom, muito digno, e desde criança sempre foi apaixonado com passarinhos. Papai tinha uma vida de cigano, morou em não-sei-quantos lugares (e, por isso, eu vivi muito pouco com ele, pois ele sempre estava morando fora), e sempre gostou de coisas que mamãe não gostava tanto. Exemplos importantes: música sertaneja das antigas (nada de Chitãozinho e Xororó, coisa antiga MESMO) e tomar um golinho de cachaça antes do almoço. Pois foi papai morrer, mamãe começou a ter as mesmas manias (e gostar de futebol, mas isso não é importante aqui agora =p).
Ontem, enquanto eu estava na escola, mamãe tava aqui em casa fazendo o almoço e ouvindo uma rádio daqui de BH que só toca música sertaneja. De 11 ao meio-dia, essa rádio toca só aquelas músicas sertanejas realmente antigas, as que papai gostava, e ontem mamãe ficou ouvindo. Até aí, tudo bem.
Eis que, quando uma música acabou e outra começou, um passarinho pousou na antena do prédio do lado aqui de casa (um prédio baixinho, dá pra ver a antena da janela da cozinha). O passarinho ficou olhando pra dentro da cozinha, observando mesmo, mexendo a cabecinha e tudo. E assoviou umas 3 vezes durante a música. Mamãe foi pra perto da janela e os dois ficaram se olhando enquanto a música tocava. E o passarinho só olhando pra cá. E aí, quando a música terminou, o passarinho foi embora.
Não acho que papai era o passarinho, não acho que a alma dele estava lá dentro, não acho nada disso. Mas, que nem mamãe disse, quando Deus quer se comunicar com a gente, ele coloca anjos na nossa vida: não anjos com asinhas brincando em nuvens, mas pessoas, animais, até mesmo objetos (tipo quando a gente acha O Livro que muda a nossa vida, nosso estado de espírito).
O que eu sei é que tem detalhes maravilhosos lá fora que querem ser vistos, só depende de nós. Então, é. Não de verdade, mas papai era o passarinho.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Dois Amigos
Dois amigos.
Tipo unha e carne, mas não tão grudados assim, acho. Não que "estar junto" significa "ser unido", e não que isso faça muito sentido, mas desde quando a amizade tem lógica? Se conheceram e creio que hoje já não sabem explicar como isso aconteceu, porque amigo tem dessas coisas: a gente conhece e se esquece. Mas a gente lembra do primeiro telefonema, do primeiro abraço-amigo, das (muitas) semelhanças. A gente lembra também da primeira briga; aliás, a gente lembra de todas. A gente lembra de algumas coisas que discordou, lembra também de algumas que concordou, lembra daquelas que não significaram tanto. A gente lembra.
A gente lembra dos planos que cada um fez pro seu próprio futuro,
(...um dia serei astronauta!...)
(...um dia serei rico!...)
A gente lembra das besteiras que queríamos fazer,
(...me passa o telefone que eu ligo, mas se for você eu juro que desligo...)
A gente lembra até da primeira trapaça que fez de brincadeira,
(...a gente sai no 3!...)
A gente lembra de algumas músicas,
(...this little song is about second chances...)
A gente lembra das ajudas mais inesperadas,
(...meu mouse manda lembranças...)
A gente lembra das ajudas mais óbvias também,
(...se fosse eu, ficaria com todas as alternativas antes de me decidir...)
A gente lembra das mesmas manias,
(...peraí que eu tô cheio de gente aqui perto...)
A gente lembra dos conselhos profissionais - ou não,
(...o importante é continuar por você e pra você...)
A gente lembra das loucuras que fomos obrigados a ouvir,
(...que você não quer o melhor pra mim...)
A gente lembra dos conselhos amorosos,
(...se vocês se amam de verdade, conversa com ela!...)
A gente lembra dos apelidos carinhosos,
(...seu bicha!...)
A gente lembra das coisas das quais abrimos mão pra ver o outro bem,
(...deixa pra lá, é melhor assim...)
A gente lembra.
(só não garanto lembrar de todas as risadas, porque tem certas coisas que a gente não enumera, porque sei lá. Não precisa, né? Acabaria com a graça.)
A gente lembra de tantas, tantas coisas que não sabe diferenciar a saudade da insatisfação, a falta da nostalgia. A gente não sabe nem explicar o que é essa dorzinha aqui, no fundo, que pode até incomodar, mas que diz que as coisas um dia se ajeitarão (...encontrando a calma e a cura na própria dor...). E pra terminar com as lembranças, eu prefiro pegar emprestado um verso de uma música muito conhecida, mas que muita gente nunca prestou atenção: Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.
Literalmente falando!
Tipo unha e carne, mas não tão grudados assim, acho. Não que "estar junto" significa "ser unido", e não que isso faça muito sentido, mas desde quando a amizade tem lógica? Se conheceram e creio que hoje já não sabem explicar como isso aconteceu, porque amigo tem dessas coisas: a gente conhece e se esquece. Mas a gente lembra do primeiro telefonema, do primeiro abraço-amigo, das (muitas) semelhanças. A gente lembra também da primeira briga; aliás, a gente lembra de todas. A gente lembra de algumas coisas que discordou, lembra também de algumas que concordou, lembra daquelas que não significaram tanto. A gente lembra.
A gente lembra dos planos que cada um fez pro seu próprio futuro,
(...um dia serei astronauta!...)
(...um dia serei rico!...)
A gente lembra das besteiras que queríamos fazer,
(...me passa o telefone que eu ligo, mas se for você eu juro que desligo...)
A gente lembra até da primeira trapaça que fez de brincadeira,
(...a gente sai no 3!...)
A gente lembra de algumas músicas,
(...this little song is about second chances...)
A gente lembra das ajudas mais inesperadas,
(...meu mouse manda lembranças...)
A gente lembra das ajudas mais óbvias também,
(...se fosse eu, ficaria com todas as alternativas antes de me decidir...)
A gente lembra das mesmas manias,
(...peraí que eu tô cheio de gente aqui perto...)
A gente lembra dos conselhos profissionais - ou não,
(...o importante é continuar por você e pra você...)
A gente lembra das loucuras que fomos obrigados a ouvir,
(...que você não quer o melhor pra mim...)
A gente lembra dos conselhos amorosos,
(...se vocês se amam de verdade, conversa com ela!...)
A gente lembra dos apelidos carinhosos,
(...seu bicha!...)
A gente lembra das coisas das quais abrimos mão pra ver o outro bem,
(...deixa pra lá, é melhor assim...)
A gente lembra.
(só não garanto lembrar de todas as risadas, porque tem certas coisas que a gente não enumera, porque sei lá. Não precisa, né? Acabaria com a graça.)
A gente lembra de tantas, tantas coisas que não sabe diferenciar a saudade da insatisfação, a falta da nostalgia. A gente não sabe nem explicar o que é essa dorzinha aqui, no fundo, que pode até incomodar, mas que diz que as coisas um dia se ajeitarão (...encontrando a calma e a cura na própria dor...). E pra terminar com as lembranças, eu prefiro pegar emprestado um verso de uma música muito conhecida, mas que muita gente nunca prestou atenção: Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.
Literalmente falando!
domingo, 3 de fevereiro de 2008
O fim do namoro dentro dos armários de cozinha
Um dos problemas de terminar um namoro é que você não sabe onde o outro termina e você começa. Isso se torna uma verdade indubitável quando um casal mora junto: você não sabe mais diferenciar o que é seu do que é do seu companheiro. E não adianta perguntar também, porque é motivo pra iniciar uma nova briga:
M: Essas panelas são minhas.
H: De jeito nenhum, eu que comprei.
M: Mas você nem sabe cozinhar!
H: E você sabe?!
M: Eu que cozinhava!
H: É, e fez questão de estragar as minhas pobres panelas com aquela sua comida horrível!
M: Você não reclamava quando eu cozinhava.
H: E eu tinha escolha?!
M: COMEQUIÉ?!
H: Olha, tanto faz agora. Me passa aquela frigideira ali.
M: Nunca.
H: Como não?
M: Eu que comprei aquela frigideira.
H: Eu paguei com meu cartão.
M: Mas quem escolheu fui eu!
H: Mas se eu não tivesse reclamado da falta de batatas fritas aqui em casa, você nunca...
M: (interrompendo) Peraí, o que é aquilo ali brilhando naquela caixa?
H: Aquilo o quê?
M: Aquilo ali, merda! Meio prateado!
H: (tentando esconder com o corpo) Não tô vendo nada prateado aqui...
M: VOCÊ TÁ TENTANDO ROUBAR MEUS TALHERES?!
H: Seus uma vírgula!
M: Pois seus é que não são! São da mamãe.
H: Tá vendo? Você pega as coisas até da sua mãe!
M: Tá me acusando de ladra? Não sou eu quem tá tentando contrabandear os talheres da sogra.
H: E como eu vou comer? Você já tá levando os meus pratos.
M: Aja como o animal que você é e coma feito um cachorro.
H: Incrível como você consegue ficar chiando por causa da louça.
M: Claro, você já tá levando minha coleção de sonetos de Shakespeare.
H: Sua nada, você me deu de aniversário de namoro.
M: Pois é, e não sei pra quê. Você nunca encostou nela.
H: Como eu poderia pensar em poesia enquanto me matava na faculdade de Medicina? Você bem sabe que não foi por falta de interesse...
M: Pois não precisa ter interesse agora que nós terminamos, né? Você nunca sentiu a emoção dos poemas... você não sabia nem diferenciar "A Metamorfose" de "Harry Potter"!
H: Ah, desculpa se eu nunca fui metididinho a "culto" que nem você, tá bom?
M: (pra si mesma) Metididinho a "culto"...
H: E tem outra: eu te escrevi um poema do Shakespeare no nosso aniversário de 5 anos de namoro.
M: NÓS TINHAMOS QUATRO ANOS E ONZE MESES! SEU FILHO DA PUTA!
H: É que eu entreguei adiantado...
M: Incrível como você consegue ser tão insensível! Seu romantismo é menor do que a amplitude de uma colher-de-chá!
H: Mas não era VOCÊ quem dizia que em briga de marido e mulher não se mete a colher?
M: VOCÊ SE ACHA MUITO ENGRAÇADO, NÉ?
H: Só quando eu me alimento bem... o que não vai acontecer com freqüência, já que você tá levando meus pratos. E, de qualquer forma, o importante é que eu escrevi, não é?
M: (irônica) Contar você não sabe, escrever você sabe?
H: Haha, que engraçada. Você sabe que eu escrevi. O problema é que você não lembra.
M: Não lembro, é? Então refresque a minha memória.
H: Eu não, você que devia lembrar. O presente era pra você.
M: Você é incapaz de citar três obras de Shakespeare além de "Romeu e Julieta".
H: Ah, é assim?! Pois eu escrevi aquele "De tudo ao meu amor serei atento"... ei, o que você tá fazendo com os meus talheres? Por que você tá apontando essa faca pra mim?! O que você vai faz...
M: ISSO É VINÍCIUS E A FACA É MINHA!!!!!!!!!!
M: Essas panelas são minhas.
H: De jeito nenhum, eu que comprei.
M: Mas você nem sabe cozinhar!
H: E você sabe?!
M: Eu que cozinhava!
H: É, e fez questão de estragar as minhas pobres panelas com aquela sua comida horrível!
M: Você não reclamava quando eu cozinhava.
H: E eu tinha escolha?!
M: COMEQUIÉ?!
H: Olha, tanto faz agora. Me passa aquela frigideira ali.
M: Nunca.
H: Como não?
M: Eu que comprei aquela frigideira.
H: Eu paguei com meu cartão.
M: Mas quem escolheu fui eu!
H: Mas se eu não tivesse reclamado da falta de batatas fritas aqui em casa, você nunca...
M: (interrompendo) Peraí, o que é aquilo ali brilhando naquela caixa?
H: Aquilo o quê?
M: Aquilo ali, merda! Meio prateado!
H: (tentando esconder com o corpo) Não tô vendo nada prateado aqui...
M: VOCÊ TÁ TENTANDO ROUBAR MEUS TALHERES?!
H: Seus uma vírgula!
M: Pois seus é que não são! São da mamãe.
H: Tá vendo? Você pega as coisas até da sua mãe!
M: Tá me acusando de ladra? Não sou eu quem tá tentando contrabandear os talheres da sogra.
H: E como eu vou comer? Você já tá levando os meus pratos.
M: Aja como o animal que você é e coma feito um cachorro.
H: Incrível como você consegue ficar chiando por causa da louça.
M: Claro, você já tá levando minha coleção de sonetos de Shakespeare.
H: Sua nada, você me deu de aniversário de namoro.
M: Pois é, e não sei pra quê. Você nunca encostou nela.
H: Como eu poderia pensar em poesia enquanto me matava na faculdade de Medicina? Você bem sabe que não foi por falta de interesse...
M: Pois não precisa ter interesse agora que nós terminamos, né? Você nunca sentiu a emoção dos poemas... você não sabia nem diferenciar "A Metamorfose" de "Harry Potter"!
H: Ah, desculpa se eu nunca fui metididinho a "culto" que nem você, tá bom?
M: (pra si mesma) Metididinho a "culto"...
H: E tem outra: eu te escrevi um poema do Shakespeare no nosso aniversário de 5 anos de namoro.
M: NÓS TINHAMOS QUATRO ANOS E ONZE MESES! SEU FILHO DA PUTA!
H: É que eu entreguei adiantado...
M: Incrível como você consegue ser tão insensível! Seu romantismo é menor do que a amplitude de uma colher-de-chá!
H: Mas não era VOCÊ quem dizia que em briga de marido e mulher não se mete a colher?
M: VOCÊ SE ACHA MUITO ENGRAÇADO, NÉ?
H: Só quando eu me alimento bem... o que não vai acontecer com freqüência, já que você tá levando meus pratos. E, de qualquer forma, o importante é que eu escrevi, não é?
M: (irônica) Contar você não sabe, escrever você sabe?
H: Haha, que engraçada. Você sabe que eu escrevi. O problema é que você não lembra.
M: Não lembro, é? Então refresque a minha memória.
H: Eu não, você que devia lembrar. O presente era pra você.
M: Você é incapaz de citar três obras de Shakespeare além de "Romeu e Julieta".
H: Ah, é assim?! Pois eu escrevi aquele "De tudo ao meu amor serei atento"... ei, o que você tá fazendo com os meus talheres? Por que você tá apontando essa faca pra mim?! O que você vai faz...
M: ISSO É VINÍCIUS E A FACA É MINHA!!!!!!!!!!
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Pergunta
Depois de uma tarde chuvosa e fria debaixo das cobertas (onde nossas pernas brincavam umas com as outras), depois de tantos risos e de alegria tão surpreendente (ah, quanto tempo esperamos por isso!), depois do nosso clássico joguinho de perguntas, ele mandou:
- E você? Se pudesse escolher um momento nosso pra ser pra sempre, qual seria?
Sorri. Ele sempre gostava de perguntar essas coisas que pedem uma resposta com generalização na cara dura, como "todos os nossos momentos", ou ainda "cada segundo do seu lado". Meio apelativo, eu sempre disse, mas até que era bonitinho. Continuou:
- Sei que todos são bons porque são comigo, mas dessa vez só pode um.
Bobo. Sempre lendo meus pensamentos (até quando eu acho que estou lendo os dele!). Olhei naqueles olhos castanhos, fiz um carinho leve na sua bochecha esquerda, passei a mão nos lençóis. Mordi o lábio inferior e fiquei pensando... qual momento?
Talvez quando nos conhecemos... eu podia jurar que ele tinha me detestado. Ou quando nos encontramos de novo, ambos ansiosos, segurando sorrisos misteriosos (pra quê? A gente sempre soube). Talvez aquele passeio na chuva depois da minha aula? Nossa primeira briga, que valia até como momento bom, só por causa do final. A vez em que deitamos na grama e nomeamos as constelações. Aquela tarde de maio em que ele segurou a minha mão e me chamou de "minha menina linda", mas de um jeito único, diferente. Todas as horas na nossa cama (voadora). Nosso concurso de nomes mais fofamente bregas. Nossas mordidas de leve na orelha. O cheiro de eucalipto do sítio que se misturava com o cheiro do cabelo dele naquelas férias...
Olhei de novo, vi que ele aguardava a resposta com outro sorriso misterioso brincando na boca. Pedi:
- Fecha os olhos.
Me aproximei, colei meus lábios nos dele e comecei a rir. Ele abriu os olhos, curioso (como sempre), e eu disse:
- Qualquer um, porque não faz diferença. Todos os momentos com você são pra sempre, e o sempre é só um momento.
- E depois, o que vem?
- Você de novo.
Ele sorriu, sussurrou um "eu te amo" e me puxou pros seus braços. E eu disse, bem baixinho, que nem meus lençóis puderam ouvir: "eu também. De verdade".
- E você? Se pudesse escolher um momento nosso pra ser pra sempre, qual seria?
Sorri. Ele sempre gostava de perguntar essas coisas que pedem uma resposta com generalização na cara dura, como "todos os nossos momentos", ou ainda "cada segundo do seu lado". Meio apelativo, eu sempre disse, mas até que era bonitinho. Continuou:
- Sei que todos são bons porque são comigo, mas dessa vez só pode um.
Bobo. Sempre lendo meus pensamentos (até quando eu acho que estou lendo os dele!). Olhei naqueles olhos castanhos, fiz um carinho leve na sua bochecha esquerda, passei a mão nos lençóis. Mordi o lábio inferior e fiquei pensando... qual momento?
Talvez quando nos conhecemos... eu podia jurar que ele tinha me detestado. Ou quando nos encontramos de novo, ambos ansiosos, segurando sorrisos misteriosos (pra quê? A gente sempre soube). Talvez aquele passeio na chuva depois da minha aula? Nossa primeira briga, que valia até como momento bom, só por causa do final. A vez em que deitamos na grama e nomeamos as constelações. Aquela tarde de maio em que ele segurou a minha mão e me chamou de "minha menina linda", mas de um jeito único, diferente. Todas as horas na nossa cama (voadora). Nosso concurso de nomes mais fofamente bregas. Nossas mordidas de leve na orelha. O cheiro de eucalipto do sítio que se misturava com o cheiro do cabelo dele naquelas férias...
Olhei de novo, vi que ele aguardava a resposta com outro sorriso misterioso brincando na boca. Pedi:
- Fecha os olhos.
Me aproximei, colei meus lábios nos dele e comecei a rir. Ele abriu os olhos, curioso (como sempre), e eu disse:
- Qualquer um, porque não faz diferença. Todos os momentos com você são pra sempre, e o sempre é só um momento.
- E depois, o que vem?
- Você de novo.
Ele sorriu, sussurrou um "eu te amo" e me puxou pros seus braços. E eu disse, bem baixinho, que nem meus lençóis puderam ouvir: "eu também. De verdade".
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